Quinta-feira, Abril 23, 2026

ALARMES SOCIAIS

Em Portugal, não existe legislação técnica própria para alarmes sociais comparável à Portaria dos alarmes de intrusão no entanto a mesma rege-se por normas, nomeadamente a norma EN 50134

Os Alarmes Sociais são sistemas eletrónicos destinados a proteção de pessoas vulneráveis, não enquadráveis como sistemas de intrusão ou pânico criminal. Têm como finalidade a deteção de situações de risco pessoal, emergência médica ou necessidade de assistência, permitindo o acionamento rápido de ajuda.

São aplicáveis, entre outros, a idosos, pessoas com deficiência motora, deficientes visuais, deficientes auditivos ou indivíduos com necessidades especiais de apoio.

Um sistema de alarmes sociais visa:

  • Permitir pedido voluntário de ajuda pelo utilizador
  • Detetar situações anómalas (quedas, imobilidade prolongada, ausência de atividade)
  • Garantir comunicação fiável com cuidadores, familiares ou centrais de assistência
  • Funcionar de forma simples, intuitiva e contínua

Componentes básicos de um sistema de alarmes sociais

Um sistema típico pode incluir:

  • Dispositivo de acionamento pessoal:
    Botão de emergência portátil (colar, pulseira, botão fixo), acessível ao utilizador em qualquer momento.
  • Sensores automáticos (opcional):
    Sensores de queda, sensores de movimento/inatividade, sensores de presença em cama ou cadeira.
  • Unidade de controlo/comunicação:
    Equipamento que recebe o alarme e estabelece comunicação com o exterior (rede fixa, GSM, IP).
  • Meios de comunicação:
    Comunicação bidirecional por voz, dados móveis, SMS, IP ou ligação a plataforma de monitorização.
  • Dispositivos de sinalização local:
    Indicadores luminosos, sonoros ou vibratórios, adaptados ao tipo de deficiência do utilizador.
  • Fonte de alimentação com bateria:
    Funcionamento garantido em caso de falha de energia elétrica.

Funcionamento geral

  1. Ativação do alarme:
    O utilizador pressiona o botão ou o sistema deteta automaticamente uma condição de risco.
  2. Processamento:
    A unidade de controlo valida o evento e identifica o utilizador/dispositivo.
  3. Comunicação:
    O alarme é transmitido para contactos definidos ou para uma central de assistência.
  4. Resposta:
    É estabelecida comunicação por voz ou acionado o protocolo de ajuda definido.
  5. Registo do evento:
    O evento é registado para histórico e acompanhamento.

Adaptação a necessidades específicas

Os sistemas devem ser configurados conforme o tipo de utilizador:

  • Idosos:
    Botões simples, sensores de queda, comunicação automática sem necessidade de interação complexa.
  • Deficientes visuais:
    Interfaces sonoras, confirmação por voz, botões com relevo ou formatos diferenciados.
  • Deficientes auditivos:
    Alertas visuais, vibração, sinalização luminosa clara e redundante.
  • Deficientes motores:
    Dispositivos de fácil acionamento, sem necessidade de força ou precisão elevada.

Integração com outros sistemas

Os alarmes sociais podem ser integrados com:

  • Sistemas de domótica assistiva
  • Plataformas de teleassistência
  • Sistemas de videovigilância assistiva (quando legalmente admissível)
  • Sistemas de gestão técnica do edifício

Não devem, por defeito, ser tratados como sistemas de alarme de intrusão, nem sujeitos a graus EN 50131, salvo se integrados funcionalmente.

Normas e legislação aplicáveis a Sistemas de Alarmes Sociais / Teleassistência

Norma / DiplomaDesignaçãoÂmbito de aplicação em Alarmes Sociais
EN 50134-1Social alarm systems – System requirementsNorma base. Requisitos gerais dos sistemas de alarme social e teleassistência.
EN 50134-2Social alarm systems – Trigger devicesRequisitos para dispositivos de acionamento (botões, colares, pulseiras).
EN 50134-3Social alarm systems – Receiving centreRequisitos para centrais recetoras de alarmes sociais (teleassistência).
EN 50134-5Social alarm systems – Portable trigger devicesRequisitos específicos para dispositivos portáteis (uso pessoal contínuo).
EN 50134-6Social alarm systems – Speech communicationComunicação por voz bidirecional entre utilizador e centro de assistência.
EN 50136 (interfaces)Alarm transmission systemsAplicável quando há transmissão de alarmes por IP/GSM com supervisão.
EN 50130-4EMC immunity requirementsImunidade eletromagnética dos equipamentos.
EN 61000 (série)Compatibilidade eletromagnética (EMC)Emissões e imunidade EMC dos dispositivos eletrónicos.
IEC / EN 62368-1Safety requirements for AV/IT equipmentSegurança elétrica de equipamentos e fontes de alimentação.

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